Acervo
Nazareth Pacheco Saia Miçangas e laminas de barbear em Caixa acrílica 2009 95x45x8cm com caixa
Nazareth Pacheco Saia Miçangas e laminas de barbear em Caixa acrílica 2009 95x45x8cm com caixa
Biografia
Nazareth Pacheco
São Paulo, SP, 1961

Nazareth Pacheco cursou Artes Plásticas na Universidade Presbiteriana Mackenzie entre 1981 e 1983. Desde a década de 1980, desenvolve obras tridimensionais relacionadas a processos vivenciados pelo corpo feminino — histórico, literal ou simbólico. No início dos anos 1980, frequentou o curso de monitoria da 18ª Bienal de São Paulo, sob orientação do historiador e crítico de arte Tadeu Chiarelli. Em 1987, em Paris, participou do ateliê de escultura da École Nationale Supérieure des Beaux-Arts.

Em 1992, decidiu dar tratamento formal a elementos derivados de sua história pessoal, utilizando registros e objetos referentes aos procedimentos médicos aos quais fora submetida. Ao longo dos anos, a artista colecionou fotografias, radiografias, bulas, laudos médicos, receitas, medicamentos, seringas, mechas de cabelo, máscaras de rosto, arcada dentária e outros documentos que testemunham um processo longo e doloroso. Esses fragmentos, reunidos como um diário íntimo, registram as transformações corporais que a levaram a passar por inúmeras intervenções cirúrgicas e estéticas ao longo dos primeiros dezoito anos de vida, com a finalidade de reparar problemas anatômicos e construir sua aparência atual.

Após 1992, a artista buscou transpor a fronteira entre o individual e o coletivo, criando objetos que remetessem aos inúmeros procedimentos torturantes aos quais não só ela, mas milhares de pessoas se submetem para atender a exigências externas. Essa preocupação nasce em um período em que os avanços da medicina estética, da cosmetologia e das cirurgias plásticas impulsionam uma busca frenética por formas corporais consideradas ideais — processos que frequentemente ultrapassam limites físicos e emocionais. Assim, as diretrizes de seu trabalho derivam tanto de vivências individuais (memórias corporais) quanto de questões amplas ligadas às tendências estéticas e problemáticas socioculturais.

Nos anos seguintes, Nazareth Pacheco participou da 24ª Bienal Internacional de São Paulo, tornou-se mestre pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), com a dissertação Objetos Sedutores, orientada por Carlos Fajardo, e teve sua obra Gilete Azul transformada em documentário, lançado em 2003 pela psicanalista Miriam Schnaiderman. Paralelamente, participou de diversas coletivas no Brasil e no exterior e frequentou o “Salon” de Louise Bourgeois em Nova York entre 1999 e 2006.

A partir de 2007, integrou exposições no MAM-SP e no Itaú Cultural, e em 2009 foi artista convidada da V Bienal Internacional de Arte Têxtil, no Palais de Glace, em Buenos Aires, a convite da curadora Florencia Battisti.

Desde então, segue presente em exposições no Brasil e no exterior. Mais recentemente, em 2022, foi convidada pela curadora Alexandra Schwartz para apresentar a obra Saias de Cristal, Miçanga e Lâmina de Bisturi na exposição Garmenting: Costume as Contemporary Art, no Museum of Arts and Design, em Nova York, Estados Unidos.

Exposições

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