Curators
Celso Fioravante
05. maio 17. jun. 2011

Antônio Maluf – Operário da Arte

O artista plástico e designer gráfico Antônio Maluf (1926-2005), um dos pioneiros do concretismo no Brasil, terá sua obra revista durante exposição na Galeria Berenice Arvani, de 5 de maio a 10 de junho de 2011. Durante este período, o público terá acesso a um amplo panorama da produção do artista, composto por 60 peças de suas diferentes fases, desde os anos 50 até 2005.

“Trata-se de uma mostra panorâmica, uma antologia com guaches, pinturas e colagens que se inicia em 1951 e segue até 2005, ano de sua morte, quando ainda mantinha em seu atelier algumas pinturas em processo de produção”, revela o curador da exposição, Celso Fioravante. “São 60 obras, para homenagear os 60 anos da criação do cartaz da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, que é, para mim, o marco inicial do concretismo no Brasil.” O cartaz é uma das obras que integra a exposição.

Apesar da forte ligação com a pintura concretista, Antônio Maluf dialogou também com o design gráfico e com a moda, além de ter flertado com outros movimentos, como o pop dos anos 60 e 70. “Esse período está representado na exposição em colagens e pinturas com motivos florais e ornamentais, originais de seu trabalho como desenhista de estampas em tecidos para tecelagens e ateliês de costura da época”, destaca o curador.

Para a marchand Berenice Arvani, a exposição é uma grande oportunidade de aproximação com a obra de Antônio Maluf. “A intenção é difundir o trabalho desse artista que, apesar de sua importância para as artes plásticas brasileiras, passou ao largo do circuito comercial desde os anos 50”, revela. “É uma chance única para aqueles que não o conhecem apreciarem as suas obras e, para os que têm afinidade com seu trabalho, de vê-lo reunido em suas diversas vertentes.”

A exposição tem entrada gratuita. A Galeria Berenice Arvani fica na Rua Oscar Freire, 540, em São Paulo.

Antônio Maluf — Nascido em São Paulo, em 1926, cursou Desenho Industrial no Instituto de Arte Contemporânea do Museu de Arte de São Paulo (MASP), optando desde o início pela arte construtivista, com ênfase na produção de cartazes e padrões têxteis. Foi aluno de Nelson Nóbrega, Waldemar da Costa, Samson Flexor, Darel e Poty. Em 1951, desenvolveu o cartaz da I Bienal de São Paulo, na qual também expôs pinturas de conotação geométrica.

Sua pintura utiliza cores chapadas de tonalidades puras e contrastantes, dispostas matematicamente em progressões, criando, na superfície bidimensional, um ritmo ordenado. Seus murais, a exemplo daqueles dos edifícios Vila Normanda (1962) e Brigadeiro (1964), no centro de São Paulo, capturam o olhar daqueles que caminham pela cidade.