08. jun 30. jul. 2021

Conversas na Ponte Aérea

As conversas artísticas entre São Paulo e Rio de Janeiro existem desde o início do século 19, com a chegada da Missão Artística Francesa ao Brasil, em 1816, iniciativa de Estado que visava promover o ensino e o desenvolvimento das artes no país.

Mas foi a partir dos anos 1950, devido ao forte desenvolvimento econômico do país e motivado pelas transformações estéticas e sociais no mundo, que o relacionamento entre paulistas e cariocas se intensificou, mesmo quando envolto em DRs, que serviram para intensificar ainda mais o amor e as disputas entre artistas e produções das duas cidades.

Um recorte dessa produção nos anos 1950, 1960 e 1970 poderá ser visto em exposição na Galeria Berenice Arvani, em São Paulo, com obras de diversos movimentos, como o Concretismo, Neoconcretismo, Abstracionismo Lírico, arte política e Pop Art.

Estarão representados artistas como Alberto Teixeira, Aluísio Carvão, Antônio Maluf, Arnaldo Ferrari, Danilo Di Prete, Décio Vieira, Dionísio del Santo, Hermelindo Fiaminghi, Irmgard Longman, Ivan Serpa, João José Costa, Judith Lauand, Lothar Charoux, Maurício Nogueira Lima, Nelson Leirner, Paulo Roberto Leal, Raul Porto, Raymundo Collares, Rubem Ludolf, Rubens Gerchman, Teresa Nazar, Ubi Bava e Victor Gerhard — artistas que, cada qual a seu modo e dentro de suas competências, ajudaram a formatar o circuito brasileiro de arte.

Vale lembrar que a produção desses artistas foi também o leitmotif das iniciativas de empresários e mecenas, como Raymundo Ottoni de Castro Maya, Assis Chateaubriand, Ciccillo Matarazzo e Yolanda Penteado.

Também estiveram ligados a instituições fundamentais como o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), a Fundação Bienal de São Paulo, a Fundação Castro Maya, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS-RJ), o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP), o Paço das Artes e a Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Esses artistas também foram protagonistas de eventos basilares da cultura nacional, como a Bienal Internacional de Arte de São Paulo (a partir de 1951), as celebrações do IV Centenário da Cidade de São Paulo (1954) — cujo maior legado foi a inauguração do Parque Ibirapuera, projetado pelo arquiteto carioca Oscar Niemeyer e pelo paisagista paulistano, radicado no Rio, Roberto Burle Marx.

Destacam-se ainda a inauguração do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand na Avenida Paulista (1968), em projeto de Lina Bo Bardi, e a criação da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (1975), cujo primeiro diretor foi Rubens Gerchman e por onde passou grande parte dos artistas brasileiros.

Mas essa já é uma outra história… 🎨