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Celso FioravanteJoão José e suas várias vidas

O artista plástico e arquiteto João José Costa participou de todas as exposições do carioca Grupo Frente, iniciativa liderada por Ivan Serpa e principal responsável pela disseminação da arte concreta e neoconcreta no Rio de Janeiro nos anos 1950. Também integrou a celebrada 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata, realizada no Hotel Quitandinha, em Petrópolis (RJ), em 1953, inaugurada pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Esteve ainda na histórica Exposição Nacional de Arte Concreta, em 1956, no Museu de Arte Moderna de São Paulo e no MAM-RJ. Foi selecionado, igualmente, para três edições da Bienal Internacional de São Paulo: 1955, 1961 e 1967. Na primeira delas, participou das seções de Pintura e Arquitetura, com duas telas e o projeto de um centro cívico.
A esse promissor início de carreira não faltou o aval da crítica especializada, que não poupou elogios a João José. No texto do catálogo da mostra do Grupo Frente no MAM-RJ, em 1955, Mário Pedrosa escreveu: “E o que dizer de João José, o mais rigoroso concretista do grupo? Que, trabalhando com a progressão e os ritmos alternados, num elementarismo de formas deliberado, nos apresenta superfícies que vivem e se expandem. É uma vocação artística em pleno desenvolvimento.”
Um ano antes, na edição de agosto de 1954 da revista Forma, Anna Letycia Quadros registrou: “Os seus trabalhos — de cunho muito pessoal — têm senso matemático, mesclado, porém, de grande lirismo.”
Em 1956, o poeta pernambucano Manuel Bandeira comentou sua surpresa ao encontrar uma obra do artista: “Quero citar como a mais bonita entre as mais características dessa arte valiosa, apenas pelo achado plástico, a Idéia Instável, de João José S. Costa. Essa, como outras composições abstracionistas ou concretistas, me agrada pela impressão de serenidade ou de alegria que me comunica”, escreveu em sua coluna no Jornal do Brasil.
No ano seguinte, no mesmo jornal, o crítico Ferreira Gullar — principal teórico do neoconcretismo carioca — reforçou: “João José S. Costa, jovem pintor e arquiteto carioca, é um dos elementos mais valiosos do grupo de artistas concretos brasileiros.”
Curadoria: Celso Fioravante
