Curators
Celso Fioravante
03. ago 08. set. 2007

Judith Lauand – 50 anos de Pintura

A Galeria Berenice Arvani exibe, durante o mês de agosto, a retrospectiva Judith Lauand – 50 anos de pintura, sob curadoria do jornalista Celso Fioravante. A mostra reúne 56 obras realizadas pela artista desde os anos 1950 até hoje.

Aos 85 anos, Judith Lauand não apresentava uma exposição individual há 11 anos. Participou, no passado, da mostra comemorativa pelos 50 anos da primeira exposição de arte concreta no Brasil, realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo. A individual é acompanhada por um catálogo abrangente e ilustrado.

Inicialmente pintora figurativa, Judith Lauand tornou-se a única mulher a integrar o grupo de artistas que protagonizou um dos momentos mais importantes da história da arte brasileira: o Concretismo. Como escreveu o crítico Walter Zanini, “suas intuições matemáticas predispunham-se à orientação em que afirmaria uma pesquisa própria da linguagem, caracterizada pela estrutura dinâmica do espaço”.

Atuante até hoje em seu ateliê no bairro de Pinheiros, em São Paulo, Judith Lauand dedica sua vida integralmente à arte e merece reconhecimento pela qualidade formal de sua produção. Permanece fiel às suas pesquisas e continua executando suas obras em tinta a óleo sobre tela, sempre antecedidas por exaustivos estudos de desenho.

Para a mostra, o curador selecionou obras das décadas de 1950, 1960, 1970, 1980 e 1990, além de incluir trabalhos produzidos nos últimos sete anos, evidenciando o domínio técnico e poético da artista. Duas raras pinturas figurativas dos anos 1950 integram a exposição, revelando sua produção anterior ao abstracionismo que marcaria seu percurso. De 2007, quatro obras recentes estão presentes.

Outro destaque da individual é a atenção dedicada à fase pop da artista, representada por nove pinturas realizadas nos anos 1960. Parte das obras não está à venda, reforçando que a galerista Berenice Arvani investe também em um projeto cultural e de resgate histórico.

“Esta é a oportunidade de fazer justiça a uma artista ainda em atividade. Ela é um dos expoentes de um momento rico da história da arte e da cultura brasileiras. Judith Lauand pertenceu a uma escola de repercussão internacional e cada vez mais ganha evidência por suas singularidades”, observa o curador.

Para Celso Fioravante, a arte de Judith Lauand possui elementos que a distinguem de sua geração e dos artistas concretistas: “Ela tem personalidade, não segue moda. Sua pintura é pessoal, não obedeceu às tendências de mercado nem buscou adequação ao circuito. Aos 85 anos, continua com total clareza de sua produção e domina profundamente questões racionais, geométricas, cromáticas e espaciais.”

Curadoria: Celso Fioravante