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Rua Oscar Freire 540, Jardins - São Paulo/ SPCurators
Celso FioravanteMãe África – Pierre Verger e Rubem Valentim

A Galeria Berenice Arvani tem o prazer de apresentar, a partir de 13 de novembro, às 19h, “Mãe África: Pierre Verger e Rubem Valentim”, exposição que contempla a produção de dois grandes nomes da arte nacional. Com curadoria de Celso Fioravante, a mostra é composta por 12 fotografias do parisiense radicado em Salvador Pierre Verger (1902-1996), realizadas nas décadas de 40 e 50; e 14 obras do soteropolitano nômade Rubem Valentim (1922-1991), entre pinturas, relevos e colagens produzidos nas décadas de 60, 70 e 80.
Verger e Valentim são estudiosos iluminados, que tratam, com um conhecimento atávico, mas também conquistado, de questões de religiosidade, dos fluxos e refluxos da diáspora africana, de um sincretismo cordial e violento e de toda a riqueza e complexidade da cultura afro-brasileira. Ambos se entregam de corpo e alma às suas pesquisas e vão fundo nas discussões sobre a inserção mítica e cotidiana do negro nos terreiros de São Salvador da Bahia de Todos os Santos do Brasil e sobre as influências do continente africano na construção da espiritualidade, do imaginário, do cotidiano e da cultura do povo brasileiro.
Antropólogo e pesquisador, Pierre Verger encontrou na Bahia um cotidiano marcado pela cultura da África Ocidental. Seu fascínio por este povo e por esta terra vai além da imagem, mostrando interesse pelos contextos, pelas histórias e pelas tradições. Para Verger, a fotografia tinha funções estéticas, documentais, afetivas e políticas, e cumpria um importante papel no discurso sobre fotógrafo e fotografado.
Aliando matriz construtiva, apuro cromático e seu intenso sincretismo religioso, Rubem Valentim buscou na cultura afro-brasileira e na cultura popular africana as características que norteariam sua produção até o final da vida. Ele sintetizou os elementos presentes nos cultos de candomblé, como os oxês de Xangô, em objetos geométricos — uma espécie de escrita para esses elementos —, uma arte semiótica que promove uma leitura profunda, sintética e habilidosamente cromatizada da identidade afro-brasileira.
