Acervo



























Biografia
Pitágoras Lopes
Goiânia, GO, 1964
Sobre a porta de seu atelier, localizado no setor Fama, em Goiânia, Pitágoras Lopes Gonçalves avisa: “Todo homem mata aquilo que ama”. A trágica frase de boas-vindas é uma citação do filme Querelle, do diretor alemão Rainer Werner Fassbinder (1945–1982), uma de suas tantas e poucas paixões. Já na entrada, o visitante tem uma ideia do que está por vir: por toda parte irá se deparar com pilhas de desenhos, pinturas começadas, livros, revistas, latas vazias de cerveja, amigos… Nada lhe escapa. Pitágoras sobrevive envolvido por um turbilhão de imagens e experiências. Uma delas, inevitavelmente, deverá servir também ao espectador.
Influenciado por cinema, televisão, moda, literatura, ficção científica e histórias em quadrinhos, o artista goiano constrói seu mundo e sua história, povoados por seres notívagos, insetos, homens, máquinas, animais e mitologias — figuras que ele encontra nas mesas dos bares, nos subterrâneos das metrópoles, nos mais recônditos vazios de sua mente.
Com tintas e pincéis, o artista cria um universo sem censura, sem frescura e sem controle: visceral, intenso, tomado por cores e formas resultantes de seu gesto expressivo e imprevisível. Vício e sexualidade povoam seu universo onírico, cínico e cruel.
Distante de modas e tendências, Pitágoras vive suas frustrações com a intensidade dos suicidas, sem dó de si mesmo ou dos outros. A catástrofe é iminente, mas ele não perde o humor diante da tragédia que se aproxima. Pitágoras está à beira de um abismo… e sorri.
