Acervo


Biografia
Teresa Nazar
Mendoza, Argentina, 1936 - São Paulo, SP, 2001
Teresa Nazar, artista argentina radicada no Brasil, desenvolveu uma obra profundamente conectada ao dinamismo estético e social dos anos 1960 — período marcado pela aceleração tecnológica, pela efervescência cultural e por tensões que influenciaram diretamente a produção artística internacional. Sua trajetória, destacada na exposição Teresa Nazar – Liberdade e Ousadia nos Anos 60 (Galeria Berenice Arvani, 2014), revela uma criadora que transita entre pintura, objetos e materiais industriais, sempre movida pela necessidade de traduzir poeticamente a experiência de seu tempo.
Inicialmente vinculada ao expressionismo, Teresa gradualmente incorpora uma nova figuração influenciada pelo pop, embora rejeitasse o rótulo de Pop Art. Sua obra utiliza placas de metal, tecidos, gesso, resina, parafusos e plásticos — elementos retirados do cotidiano e da indústria, que ganham nova significação quando inseridos em suas composições. Esses materiais, segundo o curador João Spinelli, tornam-se metáforas da precariedade humana e da natureza efêmera da vida. A artista afirmava que abandonara a pintura de cavalete “por necessidade e obrigação”, acreditando que os materiais contemporâneos lhe permitiam “concretizar um pedaço do tempo no qual existiu”.
Embora muitos críticos aproximem Teresa da Pop Art, ela própria via sua produção como distinta, pois refletia os símbolos e realidades do contexto tropical. Spinelli a define como uma artista Camp, pela ironia e pelo exagero com que tratava questões ligadas ao consumo e ao comportamento da classe média. Em sua obra, o pop torna-se um “pop dos trópicos”: em vez de glamourizar celebridades ou produtos, Teresa representava cenas do cotidiano brasileiro, como passageiros de ônibus, mulheres em ambientes populares e situações permeadas pela cultura urbana. Em outras séries, como Astronautas (1966), ela dialoga com temas globais da época, como a corrida espacial.
Entre pinturas e objetos, destacam-se obras icônicas como Objeto (década de 1960), da série Mulheres, que integrou a histórica mostra Oito Artistas | Apeningue (Galeria Atrium, 1966). Sua produção, marcada pela ousadia formal e pelo uso inventivo de materiais ordinários, afirma Teresa Nazar como uma voz singular da arte brasileira dos anos 1960, capaz de transformar resíduos do cotidiano em poesia visual e crítica social.
